O pastor itinerante Daniel Savala, de 70 anos, foi condenado a 30 anos de prisão sem possibilidade de liberdade condicional após admitir abuso sexual contra dois meninos no estado do Texas. A sentença foi anunciada na quinta-feira por um juiz local.
Segundo o promotor do condado de McLennan, Josh Tetens, a legislação texana não prevê liberdade condicional para casos classificados como tráfico humano contínuo, acusação relacionada ao processo: “Não acredito que ele volte a ver a luz do dia”, declarou Tetens em comunicado. “E isso é justiça neste caso”.
Savala havia sido preso em junho de 2023 na cidade de Waco. Ele foi identificado pelas autoridades como mentor espiritual de Christopher Hundl, ex-líder do ministério universitário Chi Alpha Campus Ministries na Universidade Baylor.
De acordo com documentos do processo, Hundl teria levado os dois meninos à residência de Savala, em Houston, diversas vezes entre o verão de 2021 e março de 2022.
Registros do cadastro de agressores sexuais do Texas apontam que Savala já havia sido acusado anteriormente de abuso sexual de menor. O crime ocorreu no Alasca entre 1995 e 1997, resultando em acusação formal em 2012.
Segundo depoimento prestado à polícia, Hundl afirmou que conheceu Savala durante o período universitário e manteve relacionamento sexual com ele. De acordo com as investigações, Savala teria conquistado proximidade com as vítimas ao assumir papel semelhante ao de um avô.
Denunciantes ligados ao caso alegam que o pastor teve acesso a jovens e adolescentes durante anos com conhecimento de alguns integrantes do ministério universitário.
O Chi Alpha Campus Ministries atua em aproximadamente 300 campi universitários e é vinculado às Assembleias de Deus, considerada a maior denominação pentecostal norte-americana.
Em manifestações anteriores, representantes das Assembleias de Deus afirmaram que Savala nunca integrou oficialmente a equipe do ministério universitário e disseram que medidas foram tomadas para romper vínculos com ele após a descoberta de seu histórico criminal. A versão, porém, é contestada por denunciantes envolvidos no caso.
“Estamos profundamente consternados com as alegações relacionadas a Daniel Savala e com a dor causada por suas ações”, declarou a denominação em comunicado. “As Assembleias de Deus se opõem veementemente aos ensinamentos e práticas que ele parece ter endossado”.
De acordo com o The Christian Post, a instituição também afirmou que Savala não possuía credenciais ministeriais vinculadas às Assembleias de Deus e declarou que continuará colaborando diante das investigações relacionadas ao caso.



