Igreja fundada por ex-escravos há 150 anos fecha templo histórico


A Igreja Batista Mount Gilead realizou no domingo seu último culto no edifício histórico localizado na Grove Street, em Fort Worth, no estado do Texas. A congregação, fundada há 150 anos por escravos libertos, decidiu encerrar as atividades no local devido ao aumento dos custos de manutenção e à redução do número de membros.

O prédio, com capacidade para 600 pessoas, está sob contrato de venda por US$ 2,5 milhões, segundo informações divulgadas em uma plataforma imobiliária online. A decisão de vender o imóvel foi aprovada pelos membros da igreja por 19 votos a 4 durante uma votação realizada no verão do ano passado.

Entre os fiéis que acompanharam o encerramento das atividades no local estava Patricia Williams, integrante da congregação há cerca de 40 anos. Ela destacou a importância histórica da igreja e expressou o desejo de que as futuras gerações preservem sua memória. “Espero que seja sempre um farol para aquilo que, acredito, 12 escravos começaram há muitos e muitos anos, e isso precisa ser ensinado”, afirmou.

“Essa história jamais deve ser apagada, porque a história não pode ser apagada. Não se pode substituí-la, mas espero que meus tataranetos se lembrem deste prédio e de sua importância”, acrescentou, de acordo com o The Christian Post.

Em dezembro, o pastor Lorenzo Jones IV informou à congregação que a venda do imóvel tinha como objetivo permitir uma nova fase para a igreja. Segundo ele, a comunidade religiosa ainda enfrenta os impactos da redução da participação presencial registrada após a pandemia de COVID-19. A expectativa é utilizar os recursos obtidos com a venda para adquirir uma nova propriedade.

Considerada a igreja negra mais antiga de Fort Worth, a Mount Gilead foi fundada em 1875 em um edifício construído por escravos libertos em uma comunidade conhecida como Baptist Hill. Há cerca de 110 anos, a congregação mudou-se para o endereço atual na Grove Street. Antes do período de segregação racial, o complexo abrigava uma piscina, um ginásio e uma creche.

Michele McGregor, de 70 anos, ex-diretora do ministério de jovens da igreja e neta do reverendo Christopher C. Harper, relembrou a relevância social da instituição para a comunidade negra local. Ela contou que sua mãe frequentava a piscina coberta do prédio em uma época em que muitas piscinas públicas mantinham restrições raciais. Durante a cerimônia de despedida, McGregor declarou: “É maravilhoso. É emocionante. Eu consigo senti-los. Consigo senti-los comigo”.

O reverendo Kyev Tatum Sr., integrante da Ministers Justice Coalition of Texas, defendeu a preservação da história ligada à igreja e ao papel desempenhado por seus fundadores. “Ver nossos ancestrais terem a tenacidade e a determinação não apenas para construir o prédio, mas também para usá-lo para ajudar a melhorar a qualidade de vida dos negros nesta comunidade, é algo que deve ser preservado, protegido e defendido”, afirmou.

Ao comentar o encerramento das atividades no edifício histórico, Tatum ressaltou que o legado da congregação vai além da estrutura física. “O edifício tem significado para aqueles de nós que historicamente o conhecemos como uma igreja, mas a realidade é que a igreja está dentro de nós”.





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