O pastor aposentado Clive Johnston foi considerado culpado por violar a chamada “zona de acesso seguro” de uma clínica de aborto após pregar um sermão baseado em João 3:16 nas proximidades de um hospital na Irlanda do Norte.
A decisão foi proferida por um juiz distrital durante audiência realizada na quinta-feira, 7 de maio, no Tribunal de Magistrados de Coleraine. Aos 78 anos, Johnston foi condenado por duas acusações relacionadas à Lei de Serviços de Aborto (Zonas de Acesso Seguro).
O caso envolve um culto ao ar livre realizado em julho de 2024 nas proximidades da área de segurança do Hospital Causeway. Segundo o Christian Institute, organização que acompanha a defesa do pastor, a condenação poderá resultar em registro criminal e multas de milhares de libras.
Clive Johnston é ex-presidente da Associação das Igrejas Batistas da Irlanda e avalia apresentar recurso contra a decisão judicial.
Após o veredicto, o pastor afirmou que não assediou nenhuma pessoa e classificou a condenação como um “dia sombrio para a liberdade cristã”.
“Realizamos um pequeno culto ao ar livre em um domingo, perto de um hospital. Não fizemos qualquer menção à questão do aborto. No entanto, a lei das zonas de segurança é tão abrangente que realizar um culto de domingo foi considerado crime. E aos 78 anos de idade, me vejo, pela primeira vez, condenado por um crime”, declarou.
Ele também afirmou: “Se alguém está causando problemas, incitando violência, assediando ou atacando verbalmente pessoas, então, sem dúvida, essa pessoa deve ser processada. Mas eu não estava fazendo nada disso, como mostra o vídeo da polícia e como todos os envolvidos neste caso reconhecem”.
Bíblia, João 3:16 afirma: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”.
Antes da audiência, Simon Calvert, vice-diretor do Christian Institute, afirmou que João 3:16 “é um versículo maravilhoso e famoso, e todos sabem que não diz nada sobre aborto”.
Calvert acusou a polícia e o Ministério Público de “ultrapassarem os limites” e declarou que a pregação do Evangelho não deve ser confundida com protestos contra o aborto.
“Temos uma liberdade incrível neste país para compartilhar a mensagem cristã. É por isso que assumimos este caso”, afirmou, de acordo com o The Christian Post.
Ele acrescentou: “Processar o pastor Johnston por pregar ‘Deus amou tanto o mundo’ perto de um hospital em um domingo tranquilo é uma nova e chocante tentativa de restringir a liberdade religiosa e a liberdade de expressão em uma parte do mundo onde cultos evangélicos ao ar livre fazem parte da cultura”.



