O Círculo de Oração foi reconhecido como patrimônio cultural de natureza imaterial do estado do Paraná. A homenagem ocorre no contexto dos 84 anos de existência do movimento de intercessão formado por mulheres evangélicas.
A medida foi aprovada pela Assembleia Legislativa do Paraná em 3 de março, por meio do projeto de lei 492/2025.
Reconhecimento oficial
A proposta foi apresentada pela deputada Mara Lima (Republicanos), em junho do ano anterior.
Após a aprovação pelos parlamentares, a lei foi sancionada pelo governador Ratinho Júnior, do Partido Social Democrático, em 5 de março.
Durante evento realizado no plenário da Assembleia, a deputada destacou a relevância do movimento de oração no estado.
“São mais de 1 milhão de mulheres que oram, intercedem pelo nosso estado e que muitas vezes não são reconhecidas. Oram pelos nossos filhos, pela nossa família, por aqueles que não têm quem os ajude. Elas são as primeiras a prestar apoio quando se trata de um momento difícil, de uma catástrofe ou de uma pandemia. Estão lá como voluntárias. Seu esforço é merecedor de reconhecimento”, afirmou.
Origem do movimento
O Círculo de Oração surgiu em 6 de março de 1942, na Igreja Assembleia de Deus em Recife (PE).
A iniciativa partiu da irmã Albertina Bezerra Barreto, que reuniu mulheres da igreja para orar pela cura de sua filha, Zuleide, que havia sido considerada sem chances de recuperação pelos médicos.
Segundo relatos, a menina acabou sendo curada após o período de intercessão.
A escolha do nome “Círculo de Oração” também tem origem em um episódio lembrado pela própria fundadora.
“Quando estávamos orando, me lembrei da mensagem e disse: Vamos circular os céus com as nossas orações”, relatou.
Expansão no Brasil
De acordo com a justificativa apresentada no projeto de lei, o gesto inicial deu origem a um movimento religioso que se expandiu por diferentes regiões do país.
“Esse gesto de fé originou um movimento que atravessou gerações e se espalhou por todo o país, tornando-se uma das mais relevantes expressões da espiritualidade evangélica”, afirmou Mara Lima no texto da proposta.
Atualmente, grupos de Círculo de Oração estão presentes em diversas denominações evangélicas e também em comunidades fora do Brasil. O movimento alcançou países como Argentina, Estados Unidos e Japão.
Testemunhos e repercussão
Durante o evento na Assembleia Legislativa, a coordenadora-geral da União das Esposas de Ministros das Assembleias de Deus do Paraná, Rozeli Santos Fontoura, comentou o papel da oração na prática cristã.
“A oração é a chave e nós temos essa chave. Há a chave da casa: é só chegar nela e abrir, não é? Nós temos a chave do Céu. Quando precisamos de alguma coisa, se tivermos fé, orarmos e pedirmos a Deus, recebemos”, declarou.
A teóloga e escritora Céfora Carvalho também comentou o reconhecimento do movimento.
“Esse é um lindo reconhecimento desse movimento de intercessão liderado por mulheres assembleianas há mais de oito décadas. Hoje, toda igreja Assembleia de Deus tem o seu Círculo de Oração”, afirmou em publicação nas redes sociais.
Ela também lembrou que, ao longo dos anos, participantes do movimento já foram alvo de críticas e apelidos.
“Essas mulheres já foram vítimas de chacota. O apelido ‘irmãs do coque’, que hoje é usado de forma carinhosa, veio primeiro como forma de zombaria pelo estilo dessas mulheres, pela forma como elas vivem sua fé. Então, é muito bonito ver esse reconhecimento externo”, comentou, de acordo com o portal Guia-me.



