Um jovem cristão de 21 anos morreu após sofrer tortura no Paquistão, em um caso que gerou indignação entre membros da comunidade cristã local. O crime ocorreu na quarta-feira (4) em uma fazenda situada no distrito de Sargodha, na província de Punjab.
A vítima foi identificada como Marcus Masih, que trabalhava na propriedade rural havia cerca de cinco anos. Segundo relatos da família, seus empregadores teriam tentado encobrir o crime simulando um suicídio por enforcamento.
Suspeitas após autópsia
De acordo com familiares, os empregadores informaram inicialmente que Marcus teria tirado a própria vida. Os proprietários da fazenda foram identificados como Muhammad Mohsin Kharal e Muhammad Basharat Kharal.
No entanto, a autópsia levantou suspeitas sobre essa versão. O exame indicou marcas de agressão severa, incluindo hematomas profundos e queimaduras, sinais que sugerem que o jovem teria sido torturado antes da morte.
O irmão da vítima, Dilshad Masih, afirmou que a família foi informada da morte de forma repentina e inicialmente acreditou na explicação apresentada pelos empregadores.
Pressão sobre a família
Segundo Dilshad, durante o processo de liberação do corpo houve pressão por parte de advogados ligados aos empregadores. Ele afirmou que a família foi orientada a assinar documentos em branco sob a justificativa de agilizar os procedimentos legais.
Somente após o corpo ser devolvido à família, os parentes perceberam evidências claras de violência.
Dilshad afirmou que Marcus nunca havia relatado maus-tratos no trabalho. Ainda assim, ele disse que os proprietários da fazenda possuíam reputação controversa na região.
O irmão contou que havia sugerido que Marcus deixasse o emprego e trabalhasse com ele, mas o jovem decidiu permanecer na fazenda.
Protesto por justiça
A morte provocou protestos entre cristãos da região. Dezenas de manifestantes bloquearam uma rodovia local, levando o corpo da vítima para o local como forma de exigir ação das autoridades.
O objetivo do protesto era pressionar a polícia a registrar oficialmente o caso e iniciar uma investigação criminal.
Após a manifestação, autoridades registraram um boletim de ocorrência e prometeram investigar o caso. Mesmo assim, a família afirmou temer que a influência social dos acusados possa interferir no andamento do processo.
Até o momento, não havia confirmação de prisões relacionadas ao caso.
Vulnerabilidade de minorias religiosas
Organizações de direitos humanos afirmam que o caso reflete os riscos enfrentados por minorias religiosas em regiões rurais do Paquistão.
Muitos cristãos vivem em condições de pobreza e trabalham em empregos informais sob controle de proprietários influentes. Essa situação pode dificultar denúncias de abusos ou violência.
Especialistas também destacaram que os ferimentos encontrados no corpo de Marcus indicam tortura intensa, além de uma possível tentativa de encobrir o crime simulando suicídio.
Relatórios sobre perseguição religiosa
O Paquistão frequentemente aparece em relatórios internacionais sobre perseguição religiosa. Um dos documentos mais citados é a Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborado pela organização Portas Abertas.
Segundo esses relatórios, cristãos no país enfrentam diversos desafios, incluindo discriminação, violência coletiva, conversões forçadas e exploração laboral.
Muitos desses casos, segundo especialistas, acabam sem punição devido a dificuldades na aplicação da lei e à pressão social em determinadas regiões.
A família de Marcus Masih afirma que busca assistência jurídica e pede uma investigação transparente para que a morte do jovem seja plenamente esclarecida, segundo o Morning Star News.



