A Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo, publicou neste domingo (8) uma mensagem em suas redes sociais solicitando orações pela vida do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que atua como pastor colaborador na instituição. A postagem é acompanhada de uma fotografia em que o magistrado aparece ao lado do pastor titular da igreja, reverendo Arival Dias Casimiro, e do reverendo Hernandes Dias Lopes .
“Estamos em oração pela vida do Reverendo André Mendonça. Ore conosco!”, diz a publicação da igreja . A manifestação ocorre em um momento no qual o ministro acumula a relatoria de duas investigações de grande repercussão nacional: o inquérito que apura fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e as apurações relacionadas a descontos ilegais em benefícios do INSS .
Contexto de segurança e medidas de proteção
A preocupação com a integridade física de Mendonça e de seus familiares ganhou destaque na última semana, após a Polícia Judicial do STF consultar o gabinete do ministro sobre a possibilidade de ampliar seu esquema de segurança. A proposta em avaliação prevê que agentes acompanhem todos os deslocamentos da esposa e dos filhos do magistrado, garantindo proteção integral à família .
Auxiliares indicam que Mendonça tende a concordar com a medida, caso ela seja considerada viável pela estrutura da Corte . Nos últimos meses, o ministro já adotou cuidados adicionais com a própria segurança, chegando a utilizar colete à prova de balas em situações específicas, como quando realiza pregações na Igreja Presbiteriana de Pinheiros .
Investigação revela existência de “milícia privada”
O reforço na proteção decorre do avanço das investigações da Operação Compliance Zero, conduzidas sob relatoria de Mendonça. Na decisão que levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, o ministro descreveu a atuação de uma “organização criminosa” que funcionava como uma espécie de “milícia privada” .
Segundo apurações da Polícia Federal, o grupo — apelidado de “A Turma” — utilizava métodos de monitoramento ilegal e ameaças contra autoridades, jornalistas e adversários. A PF interceptou, inclusive, ordens para agressões físicas contra críticos do esquema . Entre os alvos mencionados nas investigações estaria o jornalista Lauro Jardim, da revista Veja .
As investigações também identificaram a atuação de um suposto “sicário” — Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão — que integraria a estrutura paralela usada para monitorar desafetos e planejar ações de intimidação . Mourão foi preso na última quarta-feira (4) e teria tentado suicídio na carceragem da Superintendência da PF em Minas Gerais, permanecendo internado em estado grave .
Posicionamento do ministro
Na semana em que assumiu a relatoria do caso Master, em meados de fevereiro, Mendonça compartilhou em suas redes sociais uma mensagem religiosa na qual abordava as “tentações do poder”. O ministro orientou os fiéis a não se submeterem a “propostas tentadoras do ponto de vista financeiro” e se posicionou contra o uso do poder “político e institucional” para atrair “holofotes”, defendendo que tais posições deveriam ser utilizadas para “o bem do povo” e para “agradar a Deus” .
Na ocasião, Mendonça também afirmou que os lucros e dividendos de sua empresa, o Instituto Iter — que oferta cursos jurídicos —, são destinados para o custeamento de obras sociais e para o dízimo da igreja .
Indicado para o STF em 2021 pelo então presidente Jair Bolsonaro, que o descrevia como “terrivelmente evangélico”, Mendonça é o único integrante da Corte que professa abertamente a fé protestante .
Investigação de vazamentos
Na última sexta-feira (6), Mendonça determinou a abertura de inquérito para investigar o vazamento de dados sigilosos obtidos a partir da quebra de sigilo do celular de Daniel Vorcaro . A decisão atendeu a pedido da defesa do banqueiro, que questionou a divulgação de conversas pessoais pela imprensa após o material ser compartilhado com a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.
Na decisão, o ministro ressaltou que o compartilhamento de dados com a comissão “não autoriza o seu desvelamento” e que as autoridades que recebem informações sigilosas têm “a responsabilidade pela manutenção do sigilo” . Mendonça também determinou a devolução à Polícia Federal de todos os dados compartilhados com a CPMI. Com: Pleno News.



