Maysa Leão prevê menos votações de urgência na Câmara



A vereadora Maysa Leão (Republicanos) afirmou que a nova Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cuiabá promete imprimir um novo ritmo legislativo a partir do próximo ano, com menos projetos aprovados em regime de urgência e maior discussão das matérias.

Em entrevista concedida após o pleito interno do Legislativo, a vereadora afirmou que a futura gestão focará em análises aprofundadas dos projetos, freando a tramitação acelerada de matérias enviadas pelo Poder Executivo. Segundo a parlamentar, a expectativa com o novo comando é encerrar o ciclo de votações atropeladas e restabelecer o espaço para debates legislativos na capital.

“O que a gente vai ver de diferente é: menos projetos com regime de urgência, mais oportunidade de debate, mais oportunidade de conhecimento profundo dos projetos e uma gestão que vai dar continuidade àquilo de bom que a Paula [Calil] começou”, afirmou a vereadora nesta terça-feira (6).

Maysa criticou abertamente a prática frequente de envio de propostas do Executivo em regime de urgência, argumentando que matérias complexas exigem tempo hábil de leitura e discussão. A parlamentar citou como exemplo seu posicionamento contrário à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), apontando que a matéria omitia os planos de cargos, carreiras e salários das categorias da saúde e educação, além de projetos como a Casa do Autista.

Questionada se o grupo eleito adotará uma postura de retaliação ao prefeito eleito Abilio Brunini (PL), Maysa rejeitou expressamente o rótulo de “Câmara de oposição”. Ela ressaltou que a atuação do grupo encabeçado pelo novo presidente eleito, Ilde Taques (Pode), será pautada pela independência com harmonia entre os poderes.

“A Câmara será uma câmara de debate. O que sempre me incomodou muito foi a excessiva apresentação de projetos importantes com urgência. A gente precisa ter tempo hábil de ler e debater. (…) Não houve um combinado no nosso grupo de ‘votem contra a LDO’. A LDO não contemplava os planos de carreira da saúde e da educação. Votei contra e votaria de novo”, pontuou Maysa.

A fala de Maysa Leão ocorre em meio à consolidação de Ilde Taques (Podemos) no comando do Legislativo cuiabano para o biênio 2027/2028. A eleição de Ilde representou o desfecho de uma articulação política intensa que envolveu vereadores da base e da oposição, resultando em uma votação unânime com 27 votos e chapa única.

Mesmo após articulações de bastidores para viabilizar outros nomes e resistências iniciais de líderes veteranos, que consideravam inviável eleger uma Mesa sem interferência direta do Executivo, Ilde conseguiu costurar o apoio de todo o plenário. De acordo com a análise de Maysa Leão, o resultado consagrou uma construção pautada pelo diálogo continuado e pela perseverança do grupo parlamentar.



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