
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quarta-feira, 22, a liberação de R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas brasileiras. A medida, batizada de Brasil Soberano 3, visa mitigar os impactos do novo tarifaço americano e dos efeitos da guerra no Oriente Médio, atendendo exportadores que enfrentam uma tarifa adicional de 25% para vender aos Estados Unidos.
Detalhes do programa de crédito
Do total, R$ 13,5 bilhões são recursos não utilizados na primeira fase do programa e de renegociações de dívidas rurais. Os outros R$ 5 bilhões serão aportados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O financiamento cobre setores como aço, alumínio, automotivo, madeira e máquinas, além de indústrias consideradas estratégicas — fertilizantes, farmacêutico, têxtil e minerais críticos. Empresas com exportações afetadas pelo fechamento do Estreito de Ormuz também poderão acessar os recursos.
Para aderir ao Brasil Soberano 3, as companhias precisarão manter ao menos parte dos empregos. O governo condiciona o crédito à preservação de postos de trabalho. Lula também sancionou a lei que libera R$ 15 bilhões do Brasil Soberano 2, ampliando as linhas criadas no ano passado após o primeiro tarifaço. O texto deriva de medida provisória editada em março.
O cenário do tarifaço e as negociações
O anúncio do novo pacote de crédito ocorre um dia depois de o governo iniciar uma rodada de reuniões com representantes dos setores mais atingidos. A tarifa de 25% entrou em vigor nesta quarta-feira, 22, e é resultado de uma investigação do Escritório de Comércio dos EUA. Nos bastidores, negociadores brasileiros relatam que as conversas com Washington avançaram até maio, mas endureceram a partir de junho.
Os americanos passaram a apresentar pontos considerados inegociáveis pelo Brasil, como mudanças no PIX e na legislação de minerais críticos. Cerca de dez dias antes da taxação, o Brasil apresentou proposta sobre os seis pontos da investigação, mas não recebeu resposta.
Qual o posicionamento do governo brasileiro diante da situação?
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que a ideia do governo não é retaliar. Representantes do setor produtivo têm pedido que o Planalto não acione a Lei de Reciprocidade Econômica, por temerem prejuízos adicionais. A orientação de Lula, segundo ministros, é manter o diálogo sem contaminação ideológica. A avaliação do governo, no entanto, é que a decisão da United States Trade Representative (USTR) foi política e ideológica.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. Oito dos dez produtos americanos mais vendidos ao país entram sem tarifa, e a alíquota média aplicada aos principais itens é de 3%, segundo Alckmin.



