Com endividamento em alta, retirada de recursos da poupança soma R$ 41,7 bilhões até abril




Foto/Sicoob
As retiradas de recursos das cadernetas de poupança superaram os depósitos em R$ 41,7 bilhões de janeiro a abril, informou nesta sexta-feira (8) o Banco Central (BC).
A evasão de recursos da mais tradicional modalidade de investimentos do país acontece em um momento de alta no endividamento e, também, de baixa atratividade da poupança frente a outros investimentos (veja mais abaixo nessa reportagem).
Na parcial desse ano, de acordo com o Banco Central:
os depósitos somaram R$ 1,39 trilhão;
as retiradas totalizaram R$ 1,43 trilhão.
A saída de recursos da poupança não é novidade. Nos quatro primeiros meses de 2025, a modalidade regsitrou uma evasão maior ainda de valores: R$ 52,1 bilhões.
Somente em abril deste ano, a retirada de valores da poupança somou R$ 476 milhões.
Com a saída de recursos no acumulado deste ano, o estoque dos valores depositados, ou seja, o volume total aplicado, registrou queda. Em dezembro de 2025, estava em R$ 1,02 trilhão, recuando para R$ 1 trilhão no fim de abril.
Inadimplência atinge 82 milhões de brasileiros, aponta Serasa
Alta no endividamento
Dados divulgados nos últimos dias pela Serasa Experian apontam que 82,8 milhões de brasileiros estavam endividados em março, o equivalente a 49% da população brasileira.
Diante desse cenário, o governo se movimentou e lançou um novo programa para reduzir as dívidas da população — iniciativa adotada em um ano eleitoral.
O Desenrola 2.0 é voltado para brasileiros endividados com o sistema bancário que têm renda mensal de até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105.
Também será permitido ao trabalhador usar 20% do saldo da conta do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou até R$ 1 mil, o que for maior, para pagar parcial ou integralmente dívidas.
Segundo a Serasa, 47% dos débitos dos brasileiros em março, que somaram R$ 557,7 bilhões em março, estão concentrados justamente em instituições financeiras — foco do Desenrola 2.0.
Baixa atratividade da poupança
Ao mesmo tempo, a caderneta de poupança também tem mostrado pouca competitividade na comparação com outras aplicações financeiras.
➡️Com as regras vigentes, a poupança tem rendimento limitado. Quando a taxa Selic ultrapassa o patamar de 8,5% ao ano, o rendimento da poupança é de 0,5% ao mês, mais a variação da taxa referencial (TR, que é calculada pela média ponderada dos títulos públicos prefixados).
Em um cenário de juros básicos ainda elevados (14,5% ao ano), investimentos em renda fixa, como títulos públicos, papeis de empresas e aplicações financeiras em CDI, por exemplo, têm performado melhor.
Investimentos mais arriscados, como a renda variável, por exemplo, também mostraram recuperação em 2025. No ano passado, o índice da Bolsa de Valores de São Paulo teve uma disparada de 34% — o maior avanço anual desde 2016.
Neste ano, o Ibovespa continua performando bem, com alta acumulada de 13,7% (com o Brasil se destacando em meio à guerra no Oriente Médio).



Source link

Mais previsões: Tempo 25 dias