Pastor Márcio Marques alerta líderes sobre os perigos do ministério


Diante de uma audiência formada por líderes cristãos exaustos e desalentados pelos reveses da caminhada ministerial, o pastor Márcio Marques dedicou sua mensagem de abertura da Inspire Conference, realizada em Portugal na sexta-feira (24), a reavivar a chama daqueles que se encontram à beira da desistência.

O evento, que tem a chancela da Rede Inspire Portugal, desenrola-se simultaneamente em três polos do país — Sintra, Porto e Algarve — e estende-se até o sábado (25), congregando um contingente superior a 500 líderes religiosos oriundos de 15 nações do continente europeu, todos movidos pelo propósito comum de edificação mútua e expansão do Reino de Deus em terras europeias.

“Alguns de vocês, neste exato instante, estão exauridos, cabisbaixos e sem forças para prosseguir, pois a condução do ministério pastoral é tudo, menos uma empreitada simples. Há ocasiões em que o elogio que tanto ansiamos simplesmente não chega; a palavra de ânimo que necessitamos ouvir nos é sonegada. Nós nos desdobramos para encorajar uma multidão, porém nós também carecemos de ser encorajados, e talvez esse encorajamento nos esteja fazendo uma falta imensa”, desabafou o pastor Márcio, que preside a Igreja Manancial da Fé no município de Mogi das Cruzes, no estado de São Paulo.

O pregador prosseguiu, dando voz às frustrações que frequentemente assombram o coração pastoral: “Nós nos dedicamos a formar novos líderes, investimos tempo e energia para capacitá-los e, de um momento para o outro, eles simplesmente nos viram as costas e nos abandonam. Voltamos o olhar para dentro de nossos próprios rebanhos e nos deparamos com disputas mesquinhas e jogos de poder. E assim, minados por essas experiências, ficamos estafados, profundamente desapontados.”

O pastor Márcio abriu sua exposição bíblica estabelecendo que o chamado pastoral é, por definição, circundado de ameaças constantes, ecoando a advertência solene proferida pelo próprio Cristo e registrada em Mateus 10:16:

“Eis que vos envio como ovelhas para o meio de lobos; sede, portanto, prudentes como as serpentes e simples como as pombas”. “O ofício de pastor e a condição de discípulo de Cristo são, em sua essência, uma missão de alto risco, precisamente porque somos comissionados e despachados para dentro da matilha”, enfatizou o conferencista.

As quatro lições

Fincando os pés nesse versículo, o pastor Márcio Marques esmiuçou quatro princípios que o Mestre dirigiu aos seus seguidores abatidos.

A primeira lição reside no fato de que o ministério demanda ininterrupta vigilância espiritual. “Jesus inaugura o discurso com o verbo ‘Escutem’, um clamor solene por atenção redobrada. Isso se dá porque, na maioria das vezes, a sentença de morte de muitos ministérios é lavrada justamente pela ausência crônica de atenção”, frisou o pastor.

Ele alertou os líderes sobre as armadilhas que se camuflam ao longo da rota: “Nem toda porta que se escancara diante de nós representa uma oportunidade aberta pelo próprio Deus. Algumas portas no ministério podem muito bem ser a entrada para uma emboscada; por isso, precisamos de extremo cuidado e discernimento prévios antes de nos precipitarmos. Não são poucos os pastores que se desencaminham tragicamente por falta de atenção.”

Para ilustrar esse ponto, Márcio recorreu ao emblemático caso de Sansão, um homem agraciado com um chamado divino, mas que tragicamente terminou extraviado.

“Existia um padrão de conduta repetitivo na vida de Sansão que se provou letal: ele era governado pelos olhos. Não exercitava o discernimento, não era vigilante e descuidava completamente de sua integridade. E qual foi o desfecho? Quando os filisteus finalmente o capturaram, a primeira providência que tomaram foi lhe furar os olhos. Aquilo que constituía a sua bússola, o seu guia, foi exatamente o ponto onde o inimigo desferiu o ataque mais cruel”, interpretou.

Avançando para a segunda lição, Márcio destacou que o ministério genuíno brota de um envio específico da parte de Cristo. Ele exortou os pastores a jamais perderem de vista a memória daquele que os vocacionou.

“O envio de Jesus para as nossas vidas não é um evento estanque do passado; ele se renova diariamente, e precisamos nos agarrar a essa consciência. Iniciamos a jornada ministerial com essa convicção cristalina. Contudo, ao longo do caminho, vamos colecionando desilusões, frustrações e fracassos. Há um risco real de passarmos a operar no piloto automático, de perdermos a paixão do envio e o viço do primeiro amor”, ponderou o pastor. E arrematou: “O remédio para isso é trazermos à memória, todos os santos dias, esse envio do Senhor.”

O terceiro ensinamento ecoado pelo pregador foi o de que a vocação pastoral não foi arquitetada para ser exercida nos ermos do isolamento. “Jesus está nos dizendo: ‘Eu vos envio como ovelhas’. Ele se expressa no plural, jamais no singular. Se vocês permanecerem amalgamados, absolutamente nada terá o poder de detê-los. O Bom Pastor se encarregará de zelar por nós”, proclamou.

O conferencista fez uma advertência grave: “A ovelha que se aparta do rebanho e vagueia solitária será, com toda certeza, devorada pelo lobo. Muitos pastores, em decorrência das decepções, frustrações e fracassos acumulados, acabam se isolando progressivamente e, nesse estado de vulnerabilidade, convertem-se em presas fáceis para os lobos vorazes.”

Ele foi além e expôs os sintomas desse isolamento gradual: “Como podemos diagnosticar se estamos nos isolando? Quando começamos a enxergar a igreja do nosso irmão de ministério como um concorrente de mercado. Quando nos deixamos seduzir e fascinar pelo poder, isso nos torna uma presa ainda mais apetecível. É a prova cabal de que estou me apartando, e dentro de muito pouco tempo estarei absolutamente só. Esse é um território extremamente perigoso.”

Por fim, a quarta e última lição proclamada pelo pastor Márcio foi a de que o ministério requer um equilíbrio fino entre prudência estratégica e pureza de coração. “Na conclusão de Mateus 10:16, Jesus diz: ‘Portanto, sede prudentes como as serpentes e símplices como as pombas’. Como operacionalizar essa combinação aparentemente contraditória? Basta contemplarmos atentamente o ministério do próprio Jesus, o modelo perfeito”, afirmou.

Para aclarar o conceito, o pastor evocou o episódio em que os líderes religiosos tentaram enredar Cristo com uma pergunta capciosa sobre a licitude de se pagar tributos ao império romano. “Jesus solicita uma moeda e indaga: ‘De quem é esta efígie e esta inscrição?’ Respondem-lhe: ‘De César’.

Então Ele desfere a resposta magistral: ‘Dai, pois, a César o que pertence a César, e a Deus o que pertence a Deus’. Se Ele tivesse afirmado que era errado pagar impostos a Roma, teria sido imediatamente preso sob a acusação de subversão e insurreição contra o jugo romano. Jesus foi, ao mesmo tempo, prudente como a serpente e simples como a pomba”, arrematou o pastor Marcio Marques. Com: Guiame.





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