ditadura intensifica perseguição religiosa contra cristãos


O governo da Nicarágua, liderado por Daniel Ortega e sua esposa, a copresidente Rosario Murillo, determinou a proibição da ordenação de novos padres e diáconos católicos em quatro dioceses do país, medida que líderes religiosos classificam como mais um passo no agravamento da perseguição às comunidades cristãs nicaraguenses .

A restrição atinge diretamente as dioceses de Jinotega, Siuna, Matagalpa e Estelí, territórios que atualmente se encontram sob forte pressão governamental e não contam com a presença de seus bispos residentes, todos forçados ao exílio.

Segundo informações da agência ACI Prensa, a polícia local está impedindo que bispos de outras regiões ingressem nessas dioceses para realizar os ritos de ordenação, configurando uma interferência direta na estrutura ministerial da Igreja Católica .

A pesquisadora Martha Patricia Molina, autora do relatório “Nicarágua: Uma Igreja Perseguida”, alertou para o impacto “alarmante” da medida. Em Matagalpa, estima-se que a diocese opere atualmente com apenas 30% de seu clero ativo, sendo que sete em cada dez sacerdotes foram forçados ao exílio. Nas dioceses de Estelí e Jinotega, a redução da capacidade pastoral chega a 50%, deixando comunidades inteiras sem a celebração regular da Eucaristia .

“Dúzias de jovens que concluíram com êxito seus estudos em filosofia, teologia e formação pastoral encontram-se em um limbo jurídico e espiritual. Possuem aptidão e vocação, mas não podem receber o sacramento”, declarou Molina, alertando para o risco real de fechamento gradual de paróquias diante da ausência de substituições para os sacerdotes exilados, expulsos ou falecidos .

Ofensiva contra evangélicos e organizações cristãs

A perseguição religiosa na Nicarágua não se restringe à Igreja Católica. Nos últimos anos, o Ministério do Interior revogou o status legal de mais de 1.500 organizações sem fins lucrativos, a maioria delas igrejas e missões evangélicas, confiscando seus bens e propriedades sob alegações de irregularidades administrativas.

Segundo o Coletivo de Direitos Humanos Nicaragua Nunca Más, ao menos 21 pastores evangélicos encontram-se na lista de religiosos exilados em decorrência da perseguição .

Líderes de denominações históricas e ministérios independentes têm sido alvo de vigilância, ameaças e fechamento forçado de emissoras de rádio e televisão cristãs. Muitos pastores evangélicos fugiram do país após serem acusados de “traição à pátria” por prestarem auxílio humanitário durante protestos civis ou por se recusarem a alinhar seus sermões à narrativa política oficial .

Dimensão da perseguição

Dados compilados por organizações de direitos humanos revelam a magnitude da repressão. Entre 2018 e o final de 2025, 43 propriedades foram confiscadas da Igreja Católica, e o regime perpetrou 1.030 ataques contra católicos, além de proibir 18.808 procissões. A Conferência Episcopal da Nicarágua informou que 304 sacerdotes e freiras já não exercem seu ministério pastoral no país, sendo 172 homens e 132 mulheres.

Quatro bispos foram exilados: Silvio Báez, bispo auxiliar de Manágua; Isidoro Mora, bispo de Siuna; Rolando Álvarez, bispo de Matagalpa e administrador apostólico de Estelí; e Carlos Enrique Herrera, bispo de Jinotega e presidente da Conferência Episcopal Nicaragüense. Outros cinco bispos nicaraguenses permanecem no país sob severas restrições .

A organização Portas Abertas, em sua Lista Mundial da Perseguição 2026, classificou a Nicarágua na 32ª posição entre os países onde cristãos mais sofrem perseguição. O relatório destaca que “os crentes que levantam suas vozes contra o governo por questões como violações de direitos humanos enfrentam vigilância, intimidação e prisão. Alguns enfrentam até exílio e perda de cidadania”.

Resistência espiritual

Apesar do cenário adverso, lideranças religiosas destacam a resiliência das comunidades de fé. Um padre exilado ouvido pela ACI Prensa afirmou que “as vocações continuam florescendo na Nicarágua e o Senhor continua levantando jovens corajosos que o escutam e iniciam o processo de discernimento vocacional” .

A mesma fonte enfatizou que, mesmo com as proibições governamentais, a Igreja tem encontrado formas de realizar ordenações sem que o regime perceba, demonstrando “a capacidade da Igreja de se reinventar diante da adversidade”.

“A Igreja na Nicarágua está crucificada, mas não imobilizada”, declarou o sacerdote, acrescentando que “os obstáculos não são um problema para a Igreja, mas uma cruz que ela abraça com coragem” .

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) manifestou preocupação com a “persistente repressão” na Nicarágua e instou o Estado a cessar a perseguição religiosa e libertar os presos políticos, estimados em pelo menos 141 opositores detidos arbitrariamente. Com: Christian Daily.





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