O pastor Allen Jackson afirmou que cristãos precisam ter coragem para denunciar as falsas igrejas, expressão usada por ele para descrever correntes que, segundo sua avaliação, distorcem o ensino bíblico. A declaração foi feita durante uma entrevista concedida no sábado à Fox News.
Jackson lidera a World Outreach Church, nos Estados Unidos. Na entrevista, ele argumentou que cristãos que defendem posições teológicas tradicionais vêm sendo rotulados de forma negativa no debate público.
Durante a conversa, Jackson afirmou que cristãos que expressam publicamente posições teológicas históricas são frequentemente classificados como “nacionalistas cristãos”. Segundo ele, esse tipo de rótulo aparece com mais frequência quando as posições expressas são conservadoras.
“Se você defende opiniões de esquerda e as expressa publicamente a partir de uma base religiosa, você é celebrado. Se formos para o extremo oposto do espectro ideológico, se você defende visões cristãs ortodoxas e as expressa publicamente, dizem que você é uma ameaça e um perigo”, declarou o pastor.
Na mesma entrevista, ele citou o político James Talarico, ligado à ala liberal da Igreja Presbiteriana dos EUA (PCUSA), como exemplo de figura pública que, segundo ele, utiliza linguagem religiosa para defender posições teológicas e políticas progressistas.
“Onde estão os rótulos de ‘nacionalista cristão’ para Talarico?”, questionou Jackson.
Críticas ao liberalismo
O pastor afirmou que Talarico estaria utilizando argumentos religiosos para tornar ideias políticas mais aceitáveis ao público. Segundo Jackson, cristãos que defendem interpretações bíblicas tradicionais enfrentam forte oposição.
Ele afirmou que muitos desses cristãos lidam com hostilidade, críticas e pressões públicas ao defender posições consideradas ortodoxas dentro da tradição cristã.
Talarico, por sua vez, já utilizou trechos do livro de Gênesis para argumentar em favor de posições relacionadas à ideologia de gênero para crianças. Jackson reagiu a essa interpretação afirmando que, em sua visão, tais argumentos distorcem o sentido do texto bíblico.
“A realidade é que a heresia não é algo novo ou progressivo. Ela remonta ao Jardim do Éden, quando disseram: ‘Não vamos cooperar com o que Deus disse ou com os limites que Ele nos deu’”, declarou.
Ele acrescentou que, em sua avaliação, Talarico representaria um exemplo contemporâneo desse tipo de rejeição aos limites estabelecidos pelas Escrituras.
Interpretações bíblicas
Jackson também comentou declarações feitas por Talarico em participação no podcast de Joe Rogan. Na ocasião, o político sugeriu que a história da Anunciação poderia ser usada para apoiar o aborto.
O pastor criticou essa interpretação e afirmou que considera a ideia desrespeitosa em relação à figura bíblica de Maria. Ele destacou que, segundo o relato cristão, Maria enfrentou sofrimento e suspeitas após conceber Jesus e permaneceu fiel durante momentos difíceis, inclusive durante a crucificação.
Jackson descreveu a atitude de Maria como “um ato de corajosa obediência por parte de uma jovem adolescente”.
“Isso não diminui em nada a natureza sagrada da vida, conforme apresentada no contexto mais amplo das Escrituras. Você pode pegar qualquer versículo fora de seu contexto e provar o que quiser”, afirmou.
Defesa da fé cristã
Para Jackson, interpretações que utilizam textos bíblicos para justificar o aborto representam aquilo que ele chamou de “ginástica teológica”. Ele argumentou que cristãos precisam ter coragem para identificar e confrontar doutrinas que consideram incompatíveis com o ensino bíblico.
Segundo o pastor, esse tipo de posicionamento exige clareza dentro das comunidades cristãs: “Não é ortodoxo, e teremos que ter a coragem de fazer essas distinções”, disse.
Ele também afirmou que os cristãos precisam reconhecer a existência do que chamou de “falsa igreja”.
“O presidente Trump teve a coragem de dizer que notícias falsas existem. Precisaremos ter a coragem, dentro da igreja, de dizer que existe uma igreja falsa e estar dispostos a denunciá-la”, declarou.
Repercussões
O debate teológico envolvendo Talarico também foi comentado por R. Albert Mohler Jr., conhecido como Al Mohler. Em um artigo recente, Mohler afirmou que interpreta o liberalismo teológico defendido pelo político como um sinal de ambição por influência e poder dentro do debate público, de acordo com o The Christian Post.



