Colegiado de cirurgiões se opõe à mudança de sexo em menores


A Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS) divulgou nesta terça-feira (3) uma nova orientação recomendando que procedimentos cirúrgicos de redesignação sexual, popularmente chamada “mudança de sexo“, em mamas, genitais e face sejam adiados até que o paciente complete pelo menos 19 anos de idade.

A organização, que representa mais de 11 mil médicos em todo o mundo, tornou-se a primeira entidade médica de renome nos Estados Unidos a se posicionar contrariamente à realização dessas cirurgias em menores de idade .

Em comunicado oficial, a ASPS justificou a mudança de posicionamento com base em análises recentes de evidências científicas. A entidade citou “publicações recentes que relatam evidências de baixíssima ou baixa certeza em relação aos resultados na saúde mental”, “preocupações emergentes sobre possíveis danos a longo prazo e a natureza irreversível das intervenções cirúrgicas” e “evidências insuficientes que demonstrem uma relação risco-benefício favorável” para justificar a recomendação .

A sociedade destacou ainda que “as evidências disponíveis sugerem que uma proporção considerável de crianças com disforia de gênero de início pré-puberal experimenta uma resolução ou redução significativa de seu sofrimento na idade adulta, sem intervenção médica ou cirúrgica” .

Evolução da posição e contexto das revisões

De acordo com informações divulgadas pela ASPS, a entidade iniciou em agosto de 2024 uma reavaliação de suas orientações sobre cirurgias de mudança de sexo em menores, reconhecendo a existência de “considerável incerteza” sobre os impactos desses procedimentos.

A nova posição representa uma mudança significativa em relação às diretrizes de 2019, que afirmavam que “os serviços de cirurgia plástica podem ajudar pacientes com disforia de gênero a alinhar seus corpos com quem eles sabem que são e melhorar sua saúde mental e bem-estar geral” .

A organização informou que sua compreensão sobre o tema continuou a evoluir à luz de novas revisões abrangentes das evidências, incluindo a revisão Cass, do Reino Unido, e a revisão de 2025 do Departamento de Saúde e Serviços Humanos do governo Trump.

Segundo a ASPS, essas análises “contribuíram para uma compreensão mais clara dos potenciais danos, ao mesmo tempo que destacaram as limitações das evidências disponíveis, incluindo lacunas na documentação dos resultados físicos, psicológicos e psicossociais a longo prazo” .

A entidade esclareceu que os médicos, mesmo aqueles com vasta experiência do campo da falsa mudança de sexo (biologicamente falando), atualmente não possuem métodos confiáveis para distinguir entre os jovens cujo desconforto persistirá na idade adulta e aqueles cujo desconforto diminuirá espontaneamente .

Reações de outras entidades médicas

A nova orientação da ASPS gerou reações de outras importantes organizações médicas norte-americanas. A Associação Médica Americana (AMA) divulgou comunicado afirmando que “atualmente, as evidências para intervenção cirúrgica de afirmação de gênero em menores são insuficientes para que possamos fazer uma declaração definitiva” e concordou que, “na ausência de evidências claras, as intervenções cirúrgicas em menores devem ser geralmente adiadas até a idade adulta” .

A Academia Americana de Pediatria (AAP), por sua vez, manteve sua posição anterior. O presidente da entidade, Andrew Racine, declarou que a orientação da AAP “não inclui uma recomendação genérica de cirurgia para menores” com disforia de gênero, acrescentando que “a AAP continua a sustentar o princípio de que pacientes, suas famílias e seus médicos — não os políticos — devem ser aqueles que tomam decisões juntos sobre qual é o melhor cuidado para eles” .

A Associação Profissional Mundial para a Saúde Transgênero (WPATH) reiterou seu apoio ao acesso a cuidados cirúrgicos para menores sob “diretrizes e critérios cautelosos”, opondo-se a uma “abordagem de idade definitiva ou única para todos os pacientes” e defendendo que as decisões sejam tomadas caso a caso .

Contexto legal e judicial

A mudança de posicionamento da ASPS ocorre em um contexto de crescente escrutínio sobre as cirurgias de redesignação sexual em menores nos Estados Unidos. No início desta semana, um júri em Nova York concedeu indenização de US$ 2 milhões a Fox Varian, uma jovem de 22 anos que processou seus médicos por falha na obtenção de consentimento adequado antes de realizar uma mastectomia dupla nela quando tinha 16 anos .

Diversos outros detransicionadores — pessoas que receberam cirurgias de redesignação sexual quando menores e posteriormente reverteram a transição — entraram com ações judiciais semelhantes por má prática médica. De acordo com o grupo médico Do No Harm, pelo menos 5.700 crianças americanas foram submetidas a cirurgias relacionadas a gênero entre 2019 e 2023 .

A administração Trump também tem adotado medidas restritivas em relação a esses procedimentos. Em dezembro, o governo publicou uma regra que proibiria hospitais de realizar cirurgias de redesignação sexual em menores como condição para participação nos programas Medicare e Medicaid. O secretário de Saúde e Serviços Humanos, Robert F. Kennedy Jr., elogiou a decisão da ASPS, afirmando que a entidade está “protegendo as crianças de procedimentos prejudiciais de rejeição de sexo” .

A ASPS enfatizou que sua nova orientação não criminaliza o cuidado médico e apoia a autorregulação profissional em vez de abordagens legislativas punitivas, ao mesmo tempo em que aconselha seus membros a permanecerem cientes das diversas leis estaduais sobre a matéria. Com: Folha Gospel.





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