O comandante da Força Aeroespacial da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, brigadeiro-general Majid Mousavi, declarou na segunda-feira (9) que o país adotará uma nova postura em seus lançamentos de mísseis, passando a utilizar exclusivamente artefatos com ogivas de peso superior a uma tonelada. A informação foi divulgada por meio de uma publicação na rede social X .
“A partir de agora, nenhum míssil com ogiva inferior a 1 tonelada será disparado”, escreveu Mousavi, acrescentando que a frequência, a intensidade e o alcance dos ataques também serão ampliados.
O anúncio ocorre no mesmo dia em que a Guarda Revolucionária informou ter realizado novos lançamentos de mísseis, poucas horas após o Irã anunciar a escolha de Mojtaba Khamenei como novo líder supremo do país, sucedendo seu pai, Ali Khamenei, morto em ataques no final de fevereiro .
Ataque atinge região central de Israel
Ainda na segunda-feira, um ataque com mísseis iranianos atingiu a região central de Israel, deixando ao menos uma pessoa morta e duas feridas, de acordo com equipes médicas e fontes da polícia local.
A vítima fatal foi identificada como um motociclista de 22 anos na cidade de Kiryat Motzkin, durante um alerta de sirene. Equipes de resgate foram mobilizadas para os locais atingidos, e fragmentos de mísseis caíram em 106 pontos diferentes na Cisjordânia .
O comandante do distrito de Tel Aviv, Haim Sargarof, confirmou que um dos projéteis lançados pelo Irã carregava ogiva de fragmentação, atingindo pelo menos seis pontos distintos.
Entre os armamentos utilizados nas operações recentes, segundo vídeo divulgado pelos militares iranianos, estão os mísseis Khorramshahr, Fatah, Khyber e Qadr. Analistas consultados pelo The Wall Street Journal apontam que, apesar dos danos sofridos pelas forças iranianas nos ataques liderados por Estados Unidos e Israel, o país ainda dispõe de um arsenal significativo, incluindo mísseis de cruzeiro, armas de guerra cibernética e minas navais, o que lhe confere capacidade para ampliar o conflito .
Balanço de vítimas e tensão regional
Desde o início da ofensiva militar liderada por EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o conflito já se expandiu para além das fronteiras iranianas, envolvendo países do Golfo e o Líbano . De acordo com levantamento da Reuters, os números de mortos até 9 de março incluem:
-
Irã: pelo menos 1.230 mortos, incluindo 175 estudantes e funcionários de uma escola primária em Minab, no sul do país, atingida no primeiro dia da guerra, segundo o Crescente Vermelho Iraniano. O total não inclui baixas militares da Guarda Revolucionária. A marinha iraniana também informou que 104 pessoas morreram após um submarino dos EUA afundar um navio de guerra iraniano na costa do Sri Lanka .
-
Israel: 13 mortos, sendo dois soldados no sul do Líbano e 11 civis – nove deles em um ataque com míssil iraniano em Beit Shemesh, próximo a Jerusalém, em 1º de março .
-
Estados Unidos: sete militares mortos em operações contra o Irã .
-
Líbano: ao menos 486 mortos em ataques israelenses, incluindo 83 crianças, de acordo com o Ministério da Saúde libanês . O Unicef classificou os números como “assustadores” e informou que cerca de 700 mil pessoas, incluindo 200 mil crianças, estão deslocadas .
-
Outros países: houve vítimas no Iraque (15 mortos), Síria (4), Emirados Árabes Unidos (4), Arábia Saudita (2), Bahrein (2), Kuwait (2, incluindo uma criança) e Omã (1) .
Reações internacionais e desdobramentos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou à imprensa que acredita que “a guerra está basicamente encerrada”, afirmando que o Irã “não tem mais marinha, nem sistema de comunicações, nem força aérea” . Questionado sobre o novo líder iraniano, Mojtaba Khamenei, Trump disse não ter comentários, mas afirmou ter “alguém em mente” para substituí-lo .
Em meio à crise, milhares de iranianos foram às ruas de Teerã demonstrar apoio ao novo líder supremo, e o presidente russo, Vladimir Putin, enviou mensagem de congratulações . A Turquia informou que um míssil balístico disparado do Irã foi destruído por sistemas de defesa da Otan no Mediterrâneo oriental, com fragmentos caindo na província de Gaziantep, sem causar vítimas .
Os mercados globais reagiram negativamente à escalada. Bolsas asiáticas registraram quedas expressivas: Seul recuou quase 8%, Tóquio 7%, e os futuros de Wall Street caíram mais de 2%, refletindo a percepção de que o conflito está longe de uma solução rápida. Com: Oeste.



