Por isso que se utilizava pó de arroz sobre a pele (ainda hoje evidente em filmes e novelas de época) para conferir ares de riqueza construída pelo trabalho dos outros – no Brasil, por escravizados e trabalhadores dependentes.
Quando populares se referem a algo conquistado a muito custo, se fala que se trabalhou “de sol a sol”, porque é exatamente em circunstâncias difíceis que a classe trabalhadora alcança pequenas vitórias.
Burnout, alcoolismo, insônia, depressão, ansiedade, desmotivação e improdutividade são algumas das consequências de cargas exaustivas de trabalho. Não é à toa que muitos dos deputados (que trabalham geralmente três dias da semana em seus gabinetes com ar condicionado e todas as regalias) que estão contra o fim da escala 6 x 1, têm altos índices de faltas ao trabalho.
Não se faz questão de mudar a realidade porque há um senso perverso de naturalização da precariedade do trabalho no país.
Em 1925, o direito a férias remuneradas tornou-se lei no Brasil; em 1934, a jornada de trabalho das brasileiras e dos brasileiros foi fixada em 8 horas diárias e 48 horas semanais, no máximo.
Somente em 1962 houve a conquista trabalhista do direito ao 13º salário. Todos estes avanços que beneficiam até hoje milhões de trabalhadoras e trabalhadores foram arduamente conquistados por meio de mobilizações variadas, passando por negociações, protestos e greves.
Em todas estas ocasiões de ganhos para a classe trabalhadora, sempre houve quem se levantasse contra, acusando os trabalhadores de más condutas, alegando prejuízos à economia do país, prevendo a quebra das rendas públicas, prenunciando endividamentos, fechamentos de empresas e toda a sorte de intempéries.
noticia por : UOL