O que a saída da Argentina da OMS implica? Isso afeta o Brasil?

A medida se insere em um cenário global de contestação ao multilateralismo. Ela segue uma linha semelhante à adotada pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que também anunciou a saída do país da OMS durante seu mandato. Especialistas afirmam que essa decisão pode trazer tanto desafios quanto oportunidades para a Argentina.

A saída da OMS representa uma mudança na política externa da Argentina e pode afetar sua relação com outros países e organismos internacionais. A advogada internacionalista Talita Dal Lago Fermanian, PhD em relações internacionais pela Universidade de Lisboa, avalia que a decisão fortalece o controle do governo argentino sobre suas políticas de saúde. “A OMS, apesar de se apresentar como um órgão técnico, impõe diretrizes que muitas vezes interferem diretamente nas políticas internas dos países, como ocorreu durante a pandemia”, afirma.

No entanto, o professor de relações internacionais da Universidade Cruzeiro do Sul, André Araujo, destaca que a participação em organizações como a OMS não reduz a soberania dos países-membros. “A adesão a um organismo internacional é sempre uma decisão autônoma de cada Estado, que pode ou não seguir suas recomendações”, explica. Para ele, a saída da Argentina pode gerar incertezas sobre a relação do país com a comunidade internacional e afetar acordos de cooperação.

Acesso a medicamentos

O governo Milei defende que a decisão não comprometerá o acesso da população a medicamentos e vacinas, pois o país poderá negociar diretamente com laboratórios e governos estrangeiros. Fermanian sustenta que a Argentina pode continuar participando de acordos internacionais sem estar vinculada à OMS. “A organização não financia o sistema de saúde argentino, que é mantido com recursos internos”, afirma.

Por outro lado, Araujo alerta que a retirada pode dificultar a cooperação internacional em saúde pública. Segundo ele, a OMS garante acesso a informações estratégicas e programas de intercâmbio de boas práticas. “A saída do organismo pode impactar o funcionamento do sistema de saúde, pois enfraquece a participação do país em estratégias globais contra epidemias e emergências sanitárias”, ressalta.

noticia por : UOL

27 de fevereiro de 2025 3:07